Cores de Minas

Uma série de pinturas que ilustram nossas cores, em aves e plantas presentes em nosso território, algumas que fazem parte do cotidiano, outras que precisamos cultivar a quietude a aventura e assim um dia quem sabe elas nos encontrem. 

Quando era mais nova eu perguntava o nome de todas árvores, flores e pássaros aos meus avós. E eles me contavam. Hoje boa parte das pessoas só observa o mundo, não o conhece, não o chama, não sente e aprecia cada elemento como único e mágico. 

Se não sabemos o nome do mundo que nos rodeia em encanto como podemos o convocar em dias difíceis?  
Como fazemos para nos enraizar na vida se não pararmos para apreciar? 

E falo dessa magia dos olhos brilhando em meio a cientistas, pessoas do conhecimento metódico que por tantos anos relegou a natureza como simplória, mas a meu ver para escolher um tema tão terreno, natural como animais e plantas é preciso continuar cultivando o encanto. É preciso ser uma criança que continua se maravilhando. E nisso eu e você somos bem parecidos. 

Meu objetivo é simples e talvez até fútil (e como é bom poder criar o inútil em um mundo que faz você achar que tudo é necessário),  eu quero que você pouse seus olhos, segure o ar por milésimos de segundo e o solte em um suspiro, dê um sorriso singelo, leve e simples e se lembre de como a vida é bela. Nem que apenas por alguns segundos. Depois volte a voar talvez mais certo da sua direção. Ou quem sabe sem tanto esforço? Aproveitando as correntes de ar e apreciando a vista? 

Mas essa é a poesia da minha alma. Falando em termos técnicos são pinturas feitas com tinta acrílica em madeiras provenientes de poda, ou que seriam descartadas como lenha, algumas madeiras foram produzidas por artesãos da minha cidade. Acredito em apoiar pessoas reais, pessoas que conheço a história e o sorriso. Os pássaros foram feitos pelo senhor Vicente, as madeiras com cordinha pela Flávia e seu marido, já as maiores pelo Olyntho. As de eucalipto meu pai lixou, o vizinho do sítio, Daniel, cortou. Não se cria nada sozinho, isso a natureza ensina. 

E por que madeira? Eu sempre estive cercada de árvores, morei em fazenda, vivi no sítio. Minha mãe me entregou uma máquina fotográfica aos 8 anos e eu fotografei todas as flores que achei. Não parei até hoje. A natureza é a minha salvação. Hoje o mundo é efêmero, plástico e descartável, mas eu cresci em um mundo ornamentado de móveis que pesam mais de 100kg, rodeada de plantas, árvores que eu quase quebro o pescoço procurando o topo, pedras, um mundo encantado. Criar na madeira é minha forma de dar uma nova vida a uma árvore que um dia foi refúgio, morada e contar um pouco dessa história. É honrar o material que está a minha frente e retribuir a beleza que me salva. Na esperança de que ele também salve e acolha.

Será preciso uma vida para concluir esse tema, e talvez mais, a natureza é abundante uma fonte inesgotável de inspiração. Por isso fiz uma seleção de aves presentes em nossa região pelo cerrado e também nas áreas de mata atlântica (eu particularmente estou em uma região de transição). Foram 38 espécies retratadas, 50 aves pintadas, escolhidos entre mais de 1000 espécies, na esperança de traduzir um pouco nossas cores e raízes! 

  1. Maria-Faceira (Syrigma sibilatrix)
  2. Curicaca (Theristicus caudatus) 
  3. Seriema (Caricama cristata) 
  4. Carcará (Caracara plancus) 
  5. Tucano (Ramphastos toco)
  6. Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)
  7. Bem-te-vi-rajado (Myiodynastes maculatus)
  8. Saíra-sete-cores (Tangara seledon)
  9. Estrelinha-ametista (Calliphlox amethystina)
  10. Bico-reto-de-banda-branca (Heliomaster squamosus)
  11. Beija-flor-de-veste-preta (Anthracothorax nigricollis)
  12. Periquetão (Psittacara leucophthalmmus)
  13. Chorozinho-de-bico-comprido (Herpsilochmus longirostris) 
  14. Sanhaço-de-encontro-amarelo (Thraupis ornata)
  15. Sanhaço-do-coqueiro (Thraupis palmarum)
  16. Sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris)
  17. Sabiá-barranco (Turdus leucomelas)
  18. Cara dourada (Phylloscartes roquettei)
  19. Papa-moscas-de-costas-cinzenta (Polystictus superciliaris)
  20. Suiriri-da-chapada (Guyramemua affine)
  21. Tesoura-do-brejo (Gubernetes yetapa) 
  22. Balança-rabo-de-máscara (Polioptila dumicola)
  23. Cigarra do campo (Neothraupis fasciata)
  24. Mineirinho (Charitospiza eucosma) 
  25. Tiê-de-bando (Habia rubica)
  26. Tesourinha-da-mata  (Phibalura flavirostris)
  27. Garça moura (Ardea cocoi)
  28. Galito (Alectrurus tricolor)
  29. Papa-moscas-canela (Polystictus pectoralis)
  30. Saí-de-pernas-pretas (Dacnis nigripes)
  31. Cuitelão (Jacamaralcyon tridactyla)
  32. João-de-barro (Furnarius rufus)
  33. Tico-tico (Zonotrichia capensis)
  34. Canário-da-terra (Sicalis flaveola)
  35. Lavadeira mascarada (Fluvicola nengeta)
  36. Beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura)
  37. Andorinha-pequena-da-casa (Pygochelidon cyanoleuca)
  38. Sanhaço cinzento (Thraupis sayaca)